Casos de crianças com covid-19 têm alta de 55% no DF

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Um um ano, a quantidade de mortes nesta faixa etária também cresceu de 3 para 5, aumento de 66,67%. Apesar de a Anvisa ter liberado a imunização deste grupo, o GDF ainda não definiu quando vai vacinar o público-alvo

Edis Henrique Peres

(crédito: Ed Alves/CB)
As infecções por covid-19 em crianças até 10 anos no Distrito Federal aumentaram 55,15% em um ano. Entre 1º de março e 27 de dezembro do ano passado, foram registrados 6.588 casos, contra 10.221 no mesmo período, em 2021. O número de óbitos pelo novo coronavírus também cresceu: saltou de três para cinco casos, uma alta de 66,67%. Os dados são públicos e estão disponíveis no Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde.

O Governo do Distrito Federal (GDF) só vai começar a vacinar esse grupo de brasilienses quando o Ministério da Saúde divulgar a nota técnica do Plano Nacional de Imunização. Passados 13 dias da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o governo federal pretende começar a imunizar as crianças em janeiro, após o fim da consulta pública para vacinação desse público-alvo.

Enquanto isso, pais vivem a aflição de ver os filhos entrarem para as estatísticas de doentes ou mortos pela doença. Fausta Prates, 41 anos, dona de casa, moradora da Candangolândia e mãe de quatro filhos, conta que o Sars-CoV-2 afetou de forma diferente cada uma das crianças. O temor vivenciado por Fausta aumentou devido aos sintomas da mãe, de 83 anos, que também se contaminou e mora com eles. “Minha mãe tinha acabado de receber a 1ª dose da vacina. Foi graças a isso que teve os sintomas mais leves. Eu e meu marido ficamos bem ruins; eu fui parar no hospital três vezes, com dificuldade para respirar e muito mal-estar”, relata.

A respeito dos sintomas nos filhos, ela detalha: “Mariana e Daniel são gêmeos de seis anos. Ela teve um leve mal estar, ficou meio febril, mas no outro dia já acordou bem melhor. Já ele nem chegou a ter sintomas. Os outros dois mais velhos, Maria Isabel, 13, e João, 10, foram os que mais sofreram com a covid-19. Eles tiveram muita dor de cabeça, moleza no corpo, febre e mal-estar. Ficaram com sintomas por cerca de três dias”.

Fausta conta que durante o período de sintomas ficou monitorando a oxigenação das crianças, para verificar se haveria necessidade deles irem para o hospital. “Mesmo agora, continuamos saindo pouco, evitamos shopping, restaurantes e lugares muito movimentados. Mas está melhor do que antes, e minha filha de 13 anos já está vacinada. Com a volta às aulas presenciais, também compramos várias máscaras descartáveis e álcool em gel para todo mundo, além de um pano para eles limparem a mesa na escola e os materiais”, conta. A dona de casa confessa que pretende vacinar os filhos. “Estou apenas aguardando a campanha de imunização começar para a faixa etária deles. Até porque não seria liberado a vacina para as crianças se não houvesse um estudo sério sobre isso”, opina.

A assistente terapêutica Ana Caroline Ferreira, 24 anos, e o filho Bernardo Ferreira de Lima, 5, também foram infectados pela doença. “Contraímos a covid-19 em junho de 2020: eu, meu filho e meu marido. Meu marido foi ao hospital com os olhos muito irritados e, a princípio, foi diagnosticado com conjuntivite. Depois, eu comecei a sentir dor de cabeça, nariz entupido e muita coriza, parecia uma crise de sinusite muito forte. Meu filho sentiu apenas febre, alguns episódios de diarreia e indisposição. Os sintomas nele eram mais leves. Agora, continuamos com as medidas; busco sempre conscientizar ele, que está indo para a escola, de que o vírus não acabou, de que ele precisa lavar as mãos e usar a máscara, que não pode abraçar os colegas e deve evitar contato”, conta.

Vacinação
Ao Correio, o Ministério da Saúde confirmou que a recomendação é pela “inclusão da vacinação em crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Operacionalização das vacinas contra a covid-19. No dia 5 de janeiro, após ouvir a sociedade, a pasta formalizará sua decisão e, mantida a recomendação, a imunização desta faixa etária deve iniciar ainda em janeiro”. “Vale informar, ainda, que, em outubro, o ministério negociou antecipadamente com a Pfizer a compra de 100 milhões de novas doses de vacina, incluindo todas as faixas etárias que pudessem ser incorporadas ao PNO e imunizantes desenvolvidos especificamente para novas variantes”, destacou o órgão, em nota.

Já a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) disse que aguarda a nota técnica e “um novo lote de doses de vacinas” para dar início à imunização das crianças. O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que o GDF vai “depender da disponibilidade de doses da vacina” enviada pelo ministério para definir qual a estratégia que será usada na capital.

No último dia 24, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um manifesto pedindo urgência na aplicação das doses no novo público-alvo, que segundo a SES-DF, tem uma população estimada de 268 mil pessoas. “A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vem a público reafirmar sua posição incondicional em defesa da saúde e da vida das crianças e adolescentes, apoiando a urgente implementação de estratégias que permitam minimizar o risco de complicações e reduzir as hospitalizações e mortes do público infantojuvenil associadas à covid-19”, destaca.

O órgão pontuou que, desde o começo da pandemia, em todo o país, 2.500 crianças e adolescentes, até 19 anos, foram vítimas da covid-19, sendo mais de 300 na faixa etária de 5-11 anos. “A covid-19 em crianças pode ainda ocasionar a chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica, um quadro grave de tratamento hospitalar e que se manifesta semanas após a infecção pelo Sars-CoV-2. Foram confirmados mais de 1.400 casos desta síndrome em crianças no país, com mediana de idade de 5 anos”, afirma.

A infectologista Ana Helena Germoglio destaca que “dezenas de países já estão vacinando crianças, e a gente sabe que milhares foram vacinadas sem eventos adversos graves. Não existe um motivo para não instituir a vacinação de crianças no Brasil”. A especialista pontua que o vírus, nessa fase, infecta as pessoas que não estão imunes a ele. “Ou seja, são os adultos não vacinados e as crianças que acabam contaminadas. Por isso, agora está havendo um aumento no número de casos de crianças infectadas”, pondera. Na avaliação da infectologista, com mais estudos, a tendência é que a vacinação seja liberada também para a faixa etária menor de 5 anos. “Com certeza, esse será um caminho, mas para isso precisamos de mais estudos que garantam a segurança das crianças, inclusive, uma mudança na dose, porque ela não pode ser a mesma para todas as faixas etárias”, destaca.

Atualmente, segundo a pasta, a capital possui 12 casos da variante ômicron ativos. “Todos os casos identificados receberam duas doses da vacina contra covid-19. Nove foram imunizados com a vacina AstraZeneca e cinco com a Pfizer. Duas dessas pessoas estão na faixa etária de 20 a 29 anos, 10, na faixa de 30 a 39 anos e dois, na faixa de 40 a 49 anos. Nenhum dos casos apresentou sintomas graves e todos permanecem em monitoramento diário”, afirma.

Ômicron e a vacinação de crianças
“Em menos de um mês após a sua identificação na África do Sul, a variante ômicron se espalhou por mais de uma centena de países e, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC), 76% das novas infecções já são causadas por essa variante nos Estados Unidos. Essa nova cepa é altamente contagiosa e já é comparada a outro vírus altamente contagioso, o sarampo. Estima-se que uma pessoa infectada pela ômicron é capaz de infectar outras 10 pessoas, comparado a 15 para o sarampo. Isso é quatro vezes maior do que o cornavírus identificado em Wuhan. Atualmente, mais de 100 mil novos casos de coronavírus são identificados por dia, nos Estados Unidos, na França e na Grã-Bretanha. Esse grande número de casos levou vários países da Europa a retrocederem com as medidas de afrouxamento do distanciamento social e uso de máscaras, além da obrigatoriedade do passaporte vacinal. Todos nós sabemos como as vacinas salvam a vida de milhões de pessoas todo ano. Segundo dados do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal de crianças no Brasil para diferentes doenças como poliomielite, tuberculose, meningite, hepatite A e B, sarampo, caxumba e rubéola, diminuiu de 97%, em 2015, para 75% em 2020. Com essa diminuição na cobertura vacinal, nós estamos vendo o ressurgimento dessas doenças que, no passado, tínhamos controlado com a vacinação. Com o coronavírus não é diferente, após o início da vacinação de adultos e depois de adolescentes, o mundo viu o número de mortes diminuir drasticamente. Entretanto, as crianças também podem ser infectadas e, principalmente, podem transmitir o vírus para pessoas suscetíveis. Dessa forma, a vacinação em massa, inclusive de crianças, é imprescindível para podermos controlar a transmissão do vírus. Vários países aprovaram o uso da vacina da Pfizer para uso em crianças de 5 a 11 anos após rigorosa avaliação pelos respectivos órgãos de controle de medicamentos. Aqui no Brasil, os técnicos da Anvisa também aprovaram o uso dessa vacina para crianças. Por outro lado, o Ministério da Saúde resolveu, de uma forma inédita, abrir consulta pública sobre esse tema, atrasando o processo de vacinação. Enquanto isso, o coronavírus agradece a lentidão e hesitação dos nossos governantes para lidar com a saúde do povo”.

Bergmann Ribeiro, virologista e professor do Departamento de Biologia Celular da UnB

Autorização
A Anvisa liberou a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos em 16 de dezembro. O pedido da Pfizer chegou ao órgão em 12 de novembro, mas passou por exigências técnicas e análise. Em 3 de dezembro, a Anvisa se reuniu com especialistas externos para falar sobre a vacina. Após essa etapa, a Pfizer respondeu os questionamentos realizados. A agência também se reuniu com representantes de sociedades médicas e com a empresa fabricante dos imunizantes em 12 de dezembro, até autorizar a aplicação da vacina.

Raio-x covid-19
População estimada entre 5 e 11 anos: 268 mil

Por faixa etária

Menor de 2 anos:

Casos: 2.038 contra 1.506 em 2020 (aumento de 35,33%)

Mortes: 2 contra 1 em 2020 (aumento de 100%)

2 a 10 anos:

Casos: 9.847 contra 5.082 em 2020 (aumento de 93,76%)

Mortes: 3 contra 2 em 2020 (aumento de 50%)

11 a 19 anos:

Casos: 17.186 contra 12.360 em 2020 (aumento de 39,05%)

Mortes: 11 contra 3 em 2020 (aumento de 266,67%)

Fonte: SES-DF

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