Espécie branquinha é a mais afetada; ICMBio e pesquisadores da Unir estão investigando o caso

Centenas de peixes foram encontrados mortos na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho, mobilizando o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir). Imagens registradas por moradores da região mostram os animais boiando na superfície da água, o que gerou preocupação e repercussão nas redes sociais.
Segundo o ICMBio, o fenômeno não é inédito e costuma ser registrado entre os meses de junho e julho, período em que as condições climáticas e hídricas da região sofrem alterações significativas. A maioria dos peixes encontrados mortos pertence à espécie conhecida como branquinha, da família Curimatidae, que é uma das mais abundantes no Lago do Cuniã. A espécie, no entanto, é especialmente sensível a mudanças bruscas de temperatura e à redução dos níveis de oxigênio dissolvido na água, o que a torna mais vulnerável a eventos como esse.
Para identificar as causas exatas da mortandade, pesquisadores do Laboratório de Biogeoquímica da Unir irão analisar amostras da água do lago. A principal hipótese é que tenha ocorrido uma queda acentuada na quantidade de oxigênio disponível no ambiente aquático, provocada por alterações nas condições físicas e químicas do ecossistema. Esse tipo de desequilíbrio pode ser desencadeado por fatores naturais, como a variação térmica e o período de estiagem, mas também pode estar relacionado a intervenções humanas.
A Resex Lago do Cuniã abriga cerca de 115 famílias que vivem da pesca e de outras atividades de subsistência. Por isso, a investigação vai além da análise científica: o ICMBio também busca orientar os moradores sobre as causas do fenômeno e seus possíveis impactos para a comunidade, garantindo que a população local seja informada e preparada para lidar com as consequências.
O caso segue em apuração, e novos resultados deverão ser divulgados assim que as análises forem concluídas. A expectativa é que as informações obtidas ajudem não apenas a esclarecer o ocorrido, mas também a prevenir novos episódios no futuro.
Portal SGC



