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Acir destaca experiência e articulação para destravar problemas históricos de Rondônia

Em entrevista ao Resenha Política, candidato do PDT destaca experiência no Congresso, defende diálogo com qualquer governo e apresenta propostas para BR-364, meio ambiente e saúde

Experiência para negociar em Brasília sem ficar refém da polarização e propostas objetivas para problemas que pesam no bolso e travam o desenvolvimento de Rondônia. Foi essa a linha adotada pelo candidato ao Senado Acir Gurgacz (PDT) durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira. Ao longo da conversa, Acir colocou no centro do debate temas como pedágio e duplicação da BR-364, conflitos ambientais, industrialização, saúde e atuação da bancada federal.

Ao tratar da relação com diferentes governos, Acir rejeitou a lógica de que um senador precise escolher entre dialogar com a esquerda ou com a direita. Lembrou que exerceu mandato durante as gestões de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro e afirmou que a independência lhe deu liberdade para apoiar aquilo que considerava positivo para Rondônia e discordar quando entendia necessário. Para ele, a capacidade de conversar com qualquer governo é parte essencial do trabalho de quem representa o Estado em Brasília.

“Então, essa polarização não traz nada de bem para o país. A independência é fundamental. É fundamental.”

A BR-364 concentrou uma das discussões mais longas da entrevista. Acir não prometeu acabar com o pedágio. Em vez disso, defendeu mexer no modelo econômico da concessão para reduzir a cobrança. Segundo ele, uma das alternativas em discussão prevê descontos progressivos conforme a frequência de passagem pelas praças, mas a proposta inicialmente apresentada não contemplava veículos pesados. O candidato contestou a exclusão porque caminhões e ônibus têm impacto direto no frete, nas passagens e no preço final dos produtos.

“É simples, refaça a conta, diminui o percentual do desconto, mas aplica o desconto para todos. Automóvel, caminhão e ônibus.”

Acir também apresentou uma segunda frente: acelerar a duplicação da BR-364 com investimentos públicos e, à medida que o governo assumir parte das obras, retirar esses custos da planilha que sustenta a tarifa da concessionária. Ele afirmou que o contrato permite a execução de melhorias pelo poder público e citou o projeto executivo de duplicação entre Candeias do Jamari e Pimenta Bueno como instrumento para avançar na obra. A ideia, segundo explicou, é atacar ao mesmo tempo dois problemas: a necessidade de ampliar a capacidade da rodovia e o peso do pedágio sobre quem depende da BR-364.

“A minha proposta é colocar dinheiro do governo para executar essa obra e refazer a planilha de custo que a empresa está cobrando o pedágio. Porque aí baixa o custo do pedágio.”

O pedetista sustentou ainda que o debate sobre a BR-364 precisa considerar quem efetivamente paga a conta. Na entrevista, afirmou que empresas incorporam o custo do pedágio aos fretes e às passagens e que esse valor termina chegando ao consumidor nas gôndolas dos supermercados. Para Acir, qualquer solução que deixe o transporte de cargas de fora terá efeito limitado sobre a economia rondoniense.

“É o cidadão comum que paga a conta, sempre.”

Na área ambiental, Acir voltou a apontar sua participação na reforma do Código Florestal como uma das principais entregas de sua passagem pelo Senado. Ele defendeu que a legislação seja novamente revisada para enfrentar conflitos que permanecem sem solução em Rondônia, incluindo situações de famílias que vivem e produzem há duas ou três gerações em áreas atingidas posteriormente por restrições ambientais. Entre as alternativas apresentadas está a compensação com outras áreas de preservação, buscando conciliar produção, segurança jurídica e proteção ambiental.

“Não vamos tirar o sujeito que tá com a sua família, como você diz, na terceira geração, tá ali produzindo, que foi colocado pelo INCRA, não vamos tirar ele, mas vamos pegar uma outra área e transformar em reserva, fazer uma substituição.”

Acir também defendeu investimentos estruturantes na saúde. Citou a necessidade de hospitais regionais em Ariquemes, Ji-Paraná e Vilhena e o fortalecimento da estrutura existente em Cacoal como caminho para reduzir a pressão sobre Porto Velho. Durante a conversa, lembrou ainda investimentos destinados ao Hospital Municipal de Ji-Paraná e recursos que havia articulado para o Hospital Regional de Ariquemes, reforçando a defesa de projetos com alcance regional.

No trecho mais político da entrevista, o candidato foi questionado diretamente por Robson Oliveira se Rondônia possui hoje bons senadores. Acir respondeu “não” e justificou a avaliação citando justamente áreas que, na visão dele, exigem maior capacidade de articulação e resultado: pedágio da BR-364, entraves ambientais, industrialização e utilização das emendas de bancada.

“Não cuidaram, por exemplo, do pedágio da 364. Não resolveram as questões ambientais, que são um ponto crucial no desenvolvimento do estado de Rondônia. Não avançaram na industrialização do estado. Não aplicaram bem as emendas de bancada no estado de Rondônia.”

Ao longo da entrevista, Acir procurou transformar sua experiência no Congresso em argumento para uma nova atuação no Senado: dialogar com qualquer governo, concentrar esforços em projetos estruturantes e buscar soluções para problemas que continuam pendentes em Rondônia. Para o candidato, independência política só faz sentido quando se traduz em capacidade de articulação e resultado para o Estado.


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