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Mudanças climáticas podem desencadear a próxima pandemia, diz estudo

A ligação entre mudança climática e transmissão viral foi analisada e descrita por cientistas da Universidade de Georgetown, em um estudo publicado na revista científica Nature,

Talita de Souza
(crédito: Carlos Fabal/AFP)
O agravamento do efeito estufa, o desmatamento e outras formas de depredação ambiental que contribuem para o aumento anormal da temperatura da Terra podem resultar em um cenário caótico na saúde global: as mudanças climáticas podem desencadear a próxima pandemia.

Isso porque as mudanças nas estações, o aquecimento dos desertos e dos pólos sul e norte, e o desmatamento florestal obrigarão que os animais pertencentes a esses habitats se movimentem para locais com grandes populações humanas, e poderão causar a transmissão de novos vírus, como o novo coronavírus que causou a pandemia da covid-19 a partir de dezembro de 2019, na China.

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A ligação entre mudança climática e transmissão viral foi analisada e descrita por cientistas da Universidade de Georgetown, em um estudo publicado na revista científica Nature, nesta quinta-feira (28/4). A descoberta dos pesquisadores é que com a migração dos animais para outros lugares, haverá um compartilhamento de “milhares de vírus” com outros mamíferos e, assim, propiciar a transmissão para humanos também.

Para os cientistas, “as mudanças trazem maiores oportunidades para vírus como Ebola ou coronavírus emergirem em novas áreas, tornando-os mais difíceis de rastrear, e, em novos tipos de animais, tornando mais fácil para os vírus passarem de uma espécie ‘degrau’ para humanos”.

Os especialistas explicam que, até então, apenas uma analogia entre mudança de habitat forçada de animais devido ao comércio de vida selvagem propiciaria esse risco. No entanto, agora, vê-se uma possibilidade muito maior na migração forçada de animais livres para outras regiões geográficas.

“Preocupamo-nos com os mercados porque reunir animais insalubres em combinações não naturais cria oportunidades para esse processo gradual de emergência – como como a SARS pulou de morcegos para civetas (pequenos mamíferos que têm hábitos noturnos e vivem na África e na Ásia), depois civetas para pessoas”, lembrou Colin Carlson, principal autor do estudo e professor assistente de pesquisa no Centro de Ciência e Segurança da Saúde Global do Centro Médico da Universidade de Georgetown.

“Mas os mercados não são mais um risco isolado; em um clima em mudança, esse tipo de processo será a realidade na natureza em quase todos os lugares”, alertou o pesquisador. Assim, o estudo prevê que a mudança climática se tornará o maior fator de risco para o surgimento de doenças, superando até mesmo questões de maior visibilidade hoje ao se falar de meio ambiente: desmatamento, comércio de vida selvagem e agricultura industrial.

“Esse mecanismo adiciona mais uma camada à forma como as mudanças climáticas ameaçarão a saúde humana e animal”, diz o co-autor principal do estudo Gregory Albery, PhD, pós-doutorando no Departamento de Biologia da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Georgetown.

Os pesquisadores alertam que grande parte desse processo de migração de habitats já estão em andamento, já que o mundo está 1,2 graus mais quente e “os esforços para reduzir emissões de gases de efeito estufa podem não impedir que esses eventos de senvolvam”.

“A pandemia de covid-19 e a disseminação anterior de SARS, Ebola e Zika mostram como um vírus que salta de animais para humanos pode ter efeitos maciços. Para prever seu salto para os humanos, precisamos saber sobre sua disseminação entre outros animais”, disse Sam Scheiner, diretor do programa da Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF), que financiou a pesquisa.

“Esta pesquisa mostra como os movimentos e interações dos animais devido ao aquecimento do clima podem aumentar o número de vírus que saltam entre as espécies”, acrescenta.

Morcegos serão os animais mais afetados, diz o estudo. Os animais representam a maioria dos compartilhamentos virais. “Sua capacidade de voar permitirá que eles voem a longas distâncias e compartilhem a maioria dos vírus. Devido ao seu papel central na emergência viral, os maiores impactos são projetados no sudeste da Ásia, um hotspot global de diversidade de morcegos”, escrevem no estudo.

Os autores dizem que a solução é combinar a vigilância de doenças da vida selvagem com estudos em tempo real de mudanças ambientais.

“Quando um morcego brasileiro de cauda livre chega aos Apalaches, devemos investir em saber quais vírus estão se aproximando”, diz Carlson. “Tentar identificar esses saltos de host em tempo real é a única maneira de impedir que esse processo leve a mais transbordamentos e mais pandemias”.

“Estamos mais perto de prever e prevenir a próxima pandemia do que nunca”, diz Carlson. “Este é um grande passo em direção à previsão – agora temos que começar a trabalhar na metade mais difícil do problema”, conclui Carlson.

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