A dor é um convite para a mudança
A dor faz parte da experiência humana, mas nem sempre é compreendida além do sintoma físico. Em muitos casos, ela se prolonga, altera hábitos, interfere nas relações e compromete a autonomia. No livro A dor é um convite para a mudança, a cinesiologista e especialista em dor e saúde integrativa, Mariana Schamas apresenta uma visão sistêmica sobre a dor crônica e convida o leitor a enxergar o sofrimento como um sinal de que algo precisa ser reorganizado no corpo, nos pensamentos e na forma de viver.
Pós-graduada em Dor pelo Hospital Sírio-Libanês e com mais de 30 anos de experiência clínica, Schamas constrói a obra a partir da união entre ciência, prática hospitalar, neurociência e experiências de pacientes, a fim de apresentar estratégias práticas para assumir um papel ativo no processo de cuidado: retomar o movimento com segurança, repensar hábitos e transformar a maneira como o cérebro interpreta a angústia. Ao longo do livro, lançado pela Latitude, a autora explica que o desconforto é uma experiência subjetiva produzida pelo sistema nervoso central e influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais, além de questionar a ideia de que suportar a dor em silêncio representa força ou resistência.
A dor não é só uma vilã que rouba a qualidade de vida das pessoas. Ela tem uma importante função protetora, pois serve de alerta e nos avisa de que algo não está bem.
(A dor é um convite para a mudança, p. 68)
Dividido em cinco partes, o livro aborda temas como neuroplasticidade, fibromialgia, envelhecimento, ansiedade, depressão, qualidade de vida e dor social. A especialista também apresenta soluções para quem convive com incômodos físicos persistente. Entre elas o diário da dor, a construção de metas possíveis e a importância do movimento no processo terapêutico. Segundo a autora, o exercício físico ajuda o cérebro a reorganizar as percepções e contribui para recuperar funcionalidade e autonomia.
Mariana Schamas também traz para o debate o conceito de biopsicossocial, que considera o indivíduo de forma ampla e não apenas a região do corpo onde existe o desconforto. Essa abordagem propõe que fatores emocionais, crenças pessoais, relações familiares, medo, estresse, ambiente de trabalho e isolamento também influenciam diretamente a percepção e intensidade da dor e precisam fazer parte de um tratamento acolhedor e humanizado.
Neste lançamento, a autora mostra que o tratamento não depende de resultados imediatos ou exclusivamente medicamentosas e defende a combinação entre movimento, saúde mental, alimentação, rede de apoio e informação científica como pilares do cuidado. Para Mariana, entender a dor é também uma forma de reconstruir a relação consigo mesmo e recuperar a capacidade de viver com mais autonomia e consciência.



