Rádio
Rádio Rondônia


Rádio
Rádio Rondônia



El Niño 2026 pode provocar seca pior que a de 2015 na Amazônia

MANAUS (AM) – Um relatório técnico divulgado nessa segunda-feira, 18, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta que o Brasil pode enfrentar um dos períodos climáticos mais extremos dos últimos anos por causa do avanço do El Niño. A nota técnica prevê seca severa em Estados da Amazônia e do Nordeste, risco elevado de queimadas, rios em níveis críticos e aumento das enchentes na Região Sul do País. Segundo os modelos climáticos analisados pelos órgãos, o fenômeno tem mais de 90% de chance de permanecer ativo até o início de 2027.

Os dados utilizados no monitoramento mostram que há um grande volume de calor acumulado abaixo da superfície do Oceano Pacífico, chegando a 300 metros de profundidade. Para os especialistas, isso indica que o fenômeno possui energia suficiente para se manter forte durante muitos meses. A análise reúne projeções de centros meteorológicos nacionais e internacionais, incluindo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o Copernicus, a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), agência dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento climático e oceanográfico, e o APCC (Asian Pacific Climate Center), centro de previsões climáticas da região Ásia-Pacífico.

Seca no Lago do Piranha, em Manacapuru, no Amazonas (29.set.23 – Ricardo Oliveira/CENARIUM)
Na Amazônia, o documento aponta que a estiagem pode alcançar níveis semelhantes ou até superiores aos registrados durante o El Niño de 2015, quando os focos de incêndio aumentaram 36% em relação à média dos 12 anos anteriores. O alerta se concentra principalmente nas áreas do leste e do sul da Amazônia, onde a combinação de calor intenso, baixa umidade e falta de chuva deixa a vegetação muito mais seca e vulnerável ao fogo.

O relatório indica que a estação seca deverá durar mais tempo que o normal, criando condições para a propagação rápida de incêndios florestais em áreas de floresta e regiões agrícolas. Com menos chuva e temperaturas acima da média, árvores, folhas e vegetação acumulam menos umidade, funcionando como combustível para o avanço do fogo.

Outro impacto previsto envolve a redução do nível dos rios amazônicos. A nota técnica explica que os efeitos da falta de chuva não aparecem imediatamente nos grandes rios, porque existe um atraso natural entre a estiagem nas cabeceiras e a queda da água nas cidades mais distantes. Isso significa que, mesmo após o fim do período mais seco, os rios ainda podem continuar baixando durante semanas ou meses.

A redução da navegabilidade preocupa porque milhares de comunidades da Amazônia dependem dos rios para transporte, abastecimento e acesso a serviços básicos. Segundo o relatório, a seca pode dificultar a chegada de alimentos, água potável, medicamentos e atendimento de saúde em áreas remotas da região.

O documento também faz um alerta para o setor energético. Como grande parte da eletricidade brasileira depende das hidrelétricas, a combinação entre rios mais baixos e aumento do consumo de energia durante as ondas de calor pode pressionar o sistema elétrico nacional.

El Niño deve provocar extremos climáticos simultâneos no Brasil (Fred Santana/CENARIUM)
Nordeste deve enfrentar calor intenso e vegetação mais seca
No Nordeste, o El Niño deve provocar redução significativa das chuvas e aumento das temperaturas. Segundo a nota técnica, o fenômeno dificulta a formação de nuvens carregadas, diminuindo os acumulados de chuva em várias áreas da região.

Com menos nuvens no céu, a incidência de radiação solar aumenta e o calor se intensifica. O ar mais quente e seco faz o solo e a vegetação perderem água mais rapidamente, acelerando o ressecamento da biomassa e aumentando o risco de incêndios florestais.

A análise também aponta impactos sobre a segurança alimentar e a saúde pública, especialmente em regiões mais vulneráveis à seca. O documento destaca que os riscos climáticos já aparecem com meses de antecedência nos modelos meteorológicos, o que amplia a necessidade de medidas preventivas para reduzir danos sociais e ambientais.

Enquanto Norte e Nordeste enfrentam ameaça de estiagem, o Sul do País deve registrar um cenário oposto. O relatório prevê aumento expressivo das chuvas e risco elevado de enchentes severas por causa da reorganização das correntes de umidade na atmosfera.

Segundo os órgãos responsáveis pela nota técnica, o El Niño fortalece corredores de vento que transportam grande quantidade de umidade da Amazônia para a Região Sul. Esse mecanismo favorece a formação de grandes áreas de tempestade e ciclones extratropicais mais intensos e frequentes.

As projeções também indicam temperaturas acima da média durante o inverno e a primavera no Sul do Brasil. A tendência é de redução das geadas severas e das ondas prolongadas de frio, cenário que pode afetar culturas agrícolas que dependem de períodos mais frios para se desenvolver.

Sul do Brasil enfrentou enchentes severas durante El Niño em 2024 (Bruno Peres/Agência Brasil)
Sudeste pode enfrentar ondas de calor e chuvas irregulares
No Sudeste, a previsão aponta um cenário de desequilíbrio climático, com excesso de chuva em algumas áreas e estiagem em outras. Segundo a nota técnica, o El Niño deve alterar a circulação atmosférica e dificultar a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema responsável pelas chuvas de verão na região.

Os modelos indicam aumento das precipitações em São Paulo, no centro-sul do Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais, elevando o risco de alagamentos e cheias. Em contrapartida, áreas mais ao norte desses estados podem enfrentar redução das chuvas e períodos mais longos de tempo seco.

O relatório também alerta para a ocorrência de veranicos e ondas de calor prolongadas durante a primavera e o verão de 2026. O bloqueio das frentes frias no Sul do continente pode impedir a chegada de massas de ar mais frio ao Sudeste, mantendo temperaturas elevadas durante vários dias consecutivos.

Os órgãos responsáveis pelo monitoramento afirmam que as projeções continuarão sendo atualizadas nos próximos meses. Até agora, porém, os modelos climáticos mantêm consenso elevado sobre a permanência do El Niño até o início de 2027 e sobre o potencial de impactos severos em diferentes regiões do Brasil.

Adrisa De Góes


Destaques desta semana

Funcionários do frigorífico BMG recebem aviso prévio em Cacoal, mais 480 funcionários na rua.

a manhã desta sexta-feira (22), diversos funcionários do frigorífico...

PF captura foragido da Justiça em Guajará-Mirim/RO

Guajará-Mirim/RO. A Polícia Federal realizou a captura de um foragido...

MPRO e MPF ajuízam Ação Civil Pública para garantir energia elétrica em comunidades isoladas em Rondônia

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) e o Ministério...

Porto Velho: adolescente é esfaqueado por colega dentro de escola cívico-militar

Um adolescente foi esfaqueado por outro estudante na manhã...
spot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img


Outros tópicos


Notícias relacionadas