Caso começou com investigação envolvendo duas crianças, teve prisão preventiva durante o andamento do inquérito e terminou com absolvição após a Justiça considerar insuficientes as provas para uma condenação

Um caso que ganhou repercussão em Cacoal (RO) e mobilizou as autoridades policiais e o Poder Judiciário teve um novo e decisivo capítulo. Um servidor público da Câmara Municipal de Vereadores, que chegou a ser preso preventivamente durante uma investigação por suspeita de estupro de vulnerável envolvendo duas crianças, foi absolvido pela Justiça.
A decisão encerra, no âmbito do julgamento realizado, uma história que começou meses antes, quando surgiram denúncias envolvendo um bebê de aproximadamente seis meses e uma menina de dois anos. Na época, diante da gravidade das suspeitas, a Polícia Civil iniciou as investigações para apurar o que teria ocorrido.
Durante a primeira fase do caso, o servidor chegou a ser conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Cacoal após uma guarnição da Polícia Militar cumprir uma abordagem.
Conforme divulgado à época, naquele primeiro momento a autoridade policial entendeu que os elementos existentes ainda não eram suficientes para justificar a manutenção da prisão. Por essa razão, o investigado acabou sendo liberado, enquanto a Polícia Civil prosseguia com as diligências.
A liberação, portanto, não significava o encerramento do caso ou uma conclusão sobre responsabilidade. O procedimento investigativo permaneceu em andamento, com a realização de exames e outras medidas destinadas a esclarecer as circunstâncias relatadas.
Com o avanço das investigações, novos elementos foram incorporados ao inquérito. Segundo as informações divulgadas naquele período, a delegada responsável pelo caso, Fabiana Brandani, informou que a Polícia Civil aguardava resultados de exames considerados importantes para a continuidade das apurações.

Após a chegada de um dos laudos, que teria apresentado resultado positivo e acrescentado elementos considerados relevantes naquele estágio da investigação, houve embasamento para que a Polícia Civil solicitasse ao Poder Judiciário a prisão preventiva do servidor.
O pedido foi analisado pela Justiça e o mandado acabou sendo expedido.
Depois do cumprimento do mandado, ele permaneceu à disposição da Justiça enquanto a Polícia Civil dava continuidade às investigações.
Naquele momento, as autoridades ainda trabalhavam na reunião dos elementos necessários para a conclusão do inquérito, que posteriormente seguiria os trâmites legais perante o Ministério Público e o Poder Judiciário.
A prisão preventiva, importante destacar, possui natureza cautelar e não representa antecipação de culpa ou condenação.
Com o desenvolvimento do procedimento, o caso avançou para a esfera judicial. As suspeitas que inicialmente motivaram a investigação e a prisão passaram então a ser analisadas sob o contraditório e a ampla defesa, com avaliação das provas reunidas ao longo do processo.
Foi justamente nessa etapa que ocorreu a mudança mais importante na história do caso.
Segundo informação divulgada nesta semana, o servidor foi absolvido da acusação de estupro de vulnerável.
A Justiça considerou que as provas existentes eram insuficientes para sustentar uma condenação.
A decisão é especialmente relevante porque diferencia os vários momentos de uma investigação criminal. A existência de suspeitas, a abertura de inquérito, a decretação de prisão preventiva e até mesmo o prosseguimento de uma ação penal não significam, por si só, que uma pessoa seja culpada. A responsabilidade criminal somente pode ser reconhecida judicialmente quando as provas produzidas forem consideradas suficientes para uma condenação.
O caso, portanto, percorreu diferentes fases. Inicialmente houve a denúncia e a abertura da investigação. Depois, o servidor foi conduzido e liberado por falta de elementos suficientes para permanecer preso naquele momento. Com a chegada de novos dados ao inquérito, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, medida posteriormente autorizada pelo Judiciário e cumprida em Pimenta Bueno.
Agora, após a análise judicial das provas produzidas, o desfecho foi diferente daquele que as suspeitas iniciais poderiam indicar: o servidor foi absolvido.
A decisão reforça um princípio fundamental do sistema de Justiça brasileiro: toda pessoa deve ser considerada inocente até que exista condenação definitiva, e uma sentença condenatória exige provas capazes de demonstrar, dentro dos critérios estabelecidos pela legislação, a responsabilidade do acusado.
Assim, da mesma maneira que a prisão e as suspeitas foram noticiadas quando o caso veio a público, o desfecho absolutório também precisa ser registrado, garantindo que a sociedade tenha conhecimento de toda a trajetória do processo e não apenas de sua fase inicial.
Nelson Salles da Redação
O Minuto Notícia – Informação é Poder!




